A erliquiose canina, popularmente conhecida como “doença do carrapato”, é uma das enfermidades infecciosas mais comuns em cães no Brasil. Trata-se de uma doença séria que pode afetar diversos órgãos e sistemas do organismo, causando desde sinais leves até complicações graves que colocam a vida do animal em risco.
Neste artigo, você entenderá o que é a erliquiose, como ocorre a transmissão, quais são os sinais clínicos, como é feito o diagnóstico, tratamento e, principalmente, como prevenir essa doença.
O que é a Erliquiose Canina?
A erliquiose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Ehrlichia canis, um microrganismo que invade principalmente os glóbulos brancos do sangue.
A transmissão ocorre através da picada do carrapato-marrom-do-cão, conhecido cientificamente como Rhipicephalus sanguineus.
Quando um carrapato infectado se alimenta do sangue do animal, ele pode transmitir a bactéria, que se espalha pelo organismo e provoca alterações no sistema imunológico e hematológico.
Como o Cão contrai a doença?
O principal meio de transmissão é através da picada de carrapatos infectados.
O ciclo ocorre da seguinte forma:
- O carrapato pica um cão infectado.
- O carrapato adquire a bactéria.
- Posteriormente, ele pica outro cão saudável.
- A bactéria é transmitida para a corrente sanguínea.
É importante destacar que a doença não é transmitida diretamente de um cão para outro por contato.
Quais são os sintomas da Erliquiose?
Os sinais clínicos podem variar de acordo com a fase da doença.
Fase aguda
Ocorre geralmente entre 1 e 3 semanas após a infecção.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre;
- Apatia;
- Falta de apetite;
- Perda de peso;
- Aumento dos linfonodos;
- Corrimento ocular;
- Corrimento nasal;
- Dor corporal;
- Sangramentos discretos.
Muitos tutores confundem esses sinais com uma simples indisposição.
Fase subclínica
Nesta fase, o cão pode parecer completamente saudável.
A bactéria continua presente no organismo, mas sem manifestações evidentes.
Essa fase pode durar meses ou até anos.
Fase crônica
É a fase mais grave da doença.
Podem ocorrer:
- Anemia severa;
- Sangramentos espontâneos;
- Hemorragias nasais;
- Manchas avermelhadas na pele (petéquias);
- Fraqueza intensa;
- Emagrecimento;
- Problemas neurológicos;
- Dificuldade respiratória;
- Insuficiência de órgãos.
Sem tratamento adequado, a doença pode levar ao óbito.
Principais alterações no exame de sangue
A erliquiose frequentemente provoca alterações importantes nos exames laboratoriais.
As mais comuns são:
Plaquetas baixas (Trombocitopenia)
É uma das alterações mais características da doença.
As plaquetas são responsáveis pela coagulação sanguínea. Quando estão reduzidas, o animal pode apresentar:
- Sangramento nasal;
- Sangramento gengival;
- Hematomas;
- Petéquias.
Anemia
A redução dos glóbulos vermelhos provoca:
- Cansaço;
- Mucosas pálidas;
- Fraqueza.
Alterações nos Leucócitos
Os glóbulos brancos podem estar aumentados ou diminuídos dependendo da fase da infecção.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico deve ser realizado por um médico-veterinário através da associação entre histórico, exame físico e exames complementares.
Os exames mais utilizados são:
Hemograma completo
Permite identificar:
- Trombocitopenia;
- Anemia;
- Alterações nos leucócitos.
Testes sorológicos
Detectam anticorpos contra a bactéria.
Teste SNAP 4DX
Muito utilizado na rotina clínica, permite identificar anticorpos contra Ehrlichia e outras doenças transmitidas por vetores.
PCR
É considerado um dos exames mais sensíveis para detectar o DNA da bactéria, principalmente nos estágios iniciais da infecção.
Qual é o tratamento?
O tratamento deve sempre ser prescrito por um médico-veterinário.
O protocolo mais utilizado inclui:
Antibióticos
A doxiciclina é o medicamento de escolha na maioria dos casos.
O tratamento geralmente dura cerca de 28 dias, podendo variar conforme a gravidade.
Terapia de suporte
Dependendo do quadro clínico, podem ser necessários:
- Fluidoterapia;
- Protetores gástricos;
- Suplementação nutricional;
- Controle de náuseas;
- Transfusão sanguínea em casos graves.
A melhora clínica costuma ocorrer nos primeiros dias, mas o tratamento não deve ser interrompido antes do prazo indicado.
A Erliquiose tem cura?
Sim.
Quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, a maioria dos cães apresenta excelente recuperação.
Entretanto, casos crônicos podem deixar sequelas hematológicas ou imunológicas e demandar acompanhamento prolongado.
Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de sucesso terapêutico.
Como prevenir a Erliquiose?
A prevenção é baseada principalmente no controle rigoroso de carrapatos.
As principais medidas incluem:
Uso regular de antiparasitários
Existem diversas opções:
- Comprimidos mastigáveis;
- Pipetas spot-on;
- Coleiras repelentes.
Controle ambiental
É fundamental tratar:
- Quintais;
- Canis;
- Jardins;
- Áreas de circulação dos animais.
Lembre-se: grande parte da população de carrapatos encontra-se no ambiente e não sobre o animal.
Inspeção frequente
Verifique regularmente:
- Orelhas;
- Pescoço;
- Axilas;
- Região inguinal;
- Entre os dedos.
A remoção precoce dos carrapatos ajuda a reduzir o risco de transmissão.
A Erliquiose passa para humanos?
A espécie Ehrlichia canis, responsável pela maioria dos casos em cães, não é considerada uma causa comum de doença em humanos.
Entretanto, carrapatos podem transmitir outras enfermidades de importância médica. Por isso, o controle desses parasitas é fundamental tanto para a saúde animal quanto para a saúde pública.
Conclusão
A erliquiose canina é uma doença grave, mas que pode ser controlada e tratada com sucesso quando diagnosticada precocemente. Fique atento a sinais como apatia, febre, perda de apetite, sangramentos e queda das plaquetas. A realização periódica de exames e o controle rigoroso de carrapatos são as melhores formas de proteger seu cão.
Ao perceber qualquer alteração no comportamento ou na saúde do seu pet, procure um médico-veterinário o quanto antes. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do animal.
