Erliquiose Canina: Tudo o que Você Precisa Saber Sobre a Doença do Carrapato

A erliquiose canina, popularmente conhecida como “doença do carrapato”, é uma das enfermidades infecciosas mais comuns em cães no Brasil. Trata-se de uma doença séria que pode afetar diversos órgãos e sistemas do organismo, causando desde sinais leves até complicações graves que colocam a vida do animal em risco.

Neste artigo, você entenderá o que é a erliquiose, como ocorre a transmissão, quais são os sinais clínicos, como é feito o diagnóstico, tratamento e, principalmente, como prevenir essa doença.

O que é a Erliquiose Canina?

A erliquiose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Ehrlichia canis, um microrganismo que invade principalmente os glóbulos brancos do sangue.

A transmissão ocorre através da picada do carrapato-marrom-do-cão, conhecido cientificamente como Rhipicephalus sanguineus.

Quando um carrapato infectado se alimenta do sangue do animal, ele pode transmitir a bactéria, que se espalha pelo organismo e provoca alterações no sistema imunológico e hematológico.

Como o Cão contrai a doença?

O principal meio de transmissão é através da picada de carrapatos infectados.

O ciclo ocorre da seguinte forma:

  1. O carrapato pica um cão infectado.
  2. O carrapato adquire a bactéria.
  3. Posteriormente, ele pica outro cão saudável.
  4. A bactéria é transmitida para a corrente sanguínea.

É importante destacar que a doença não é transmitida diretamente de um cão para outro por contato.

Quais são os sintomas da Erliquiose?

Os sinais clínicos podem variar de acordo com a fase da doença.

Fase aguda

Ocorre geralmente entre 1 e 3 semanas após a infecção.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Febre;
  • Apatia;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso;
  • Aumento dos linfonodos;
  • Corrimento ocular;
  • Corrimento nasal;
  • Dor corporal;
  • Sangramentos discretos.

Muitos tutores confundem esses sinais com uma simples indisposição.

Fase subclínica

Nesta fase, o cão pode parecer completamente saudável.

A bactéria continua presente no organismo, mas sem manifestações evidentes.

Essa fase pode durar meses ou até anos.

Fase crônica

É a fase mais grave da doença.

Podem ocorrer:

  • Anemia severa;
  • Sangramentos espontâneos;
  • Hemorragias nasais;
  • Manchas avermelhadas na pele (petéquias);
  • Fraqueza intensa;
  • Emagrecimento;
  • Problemas neurológicos;
  • Dificuldade respiratória;
  • Insuficiência de órgãos.

Sem tratamento adequado, a doença pode levar ao óbito.

Principais alterações no exame de sangue

A erliquiose frequentemente provoca alterações importantes nos exames laboratoriais.

As mais comuns são:

Plaquetas baixas (Trombocitopenia)

É uma das alterações mais características da doença.

As plaquetas são responsáveis pela coagulação sanguínea. Quando estão reduzidas, o animal pode apresentar:

  • Sangramento nasal;
  • Sangramento gengival;
  • Hematomas;
  • Petéquias.
Anemia

A redução dos glóbulos vermelhos provoca:

  • Cansaço;
  • Mucosas pálidas;
  • Fraqueza.
Alterações nos Leucócitos

Os glóbulos brancos podem estar aumentados ou diminuídos dependendo da fase da infecção.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico deve ser realizado por um médico-veterinário através da associação entre histórico, exame físico e exames complementares.

Os exames mais utilizados são:

Hemograma completo

Permite identificar:

  • Trombocitopenia;
  • Anemia;
  • Alterações nos leucócitos.
Testes sorológicos

Detectam anticorpos contra a bactéria.

Teste SNAP 4DX

Muito utilizado na rotina clínica, permite identificar anticorpos contra Ehrlichia e outras doenças transmitidas por vetores.

PCR

É considerado um dos exames mais sensíveis para detectar o DNA da bactéria, principalmente nos estágios iniciais da infecção.

Qual é o tratamento?

O tratamento deve sempre ser prescrito por um médico-veterinário.

O protocolo mais utilizado inclui:

Antibióticos

A doxiciclina é o medicamento de escolha na maioria dos casos.

O tratamento geralmente dura cerca de 28 dias, podendo variar conforme a gravidade.

Terapia de suporte

Dependendo do quadro clínico, podem ser necessários:

  • Fluidoterapia;
  • Protetores gástricos;
  • Suplementação nutricional;
  • Controle de náuseas;
  • Transfusão sanguínea em casos graves.

A melhora clínica costuma ocorrer nos primeiros dias, mas o tratamento não deve ser interrompido antes do prazo indicado.

A Erliquiose tem cura?

Sim.

Quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, a maioria dos cães apresenta excelente recuperação.

Entretanto, casos crônicos podem deixar sequelas hematológicas ou imunológicas e demandar acompanhamento prolongado.

Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as chances de sucesso terapêutico.

Como prevenir a Erliquiose?

A prevenção é baseada principalmente no controle rigoroso de carrapatos.

As principais medidas incluem:

Uso regular de antiparasitários

Existem diversas opções:

  • Comprimidos mastigáveis;
  • Pipetas spot-on;
  • Coleiras repelentes.
Controle ambiental

É fundamental tratar:

  • Quintais;
  • Canis;
  • Jardins;
  • Áreas de circulação dos animais.

Lembre-se: grande parte da população de carrapatos encontra-se no ambiente e não sobre o animal.

Inspeção frequente

Verifique regularmente:

  • Orelhas;
  • Pescoço;
  • Axilas;
  • Região inguinal;
  • Entre os dedos.

A remoção precoce dos carrapatos ajuda a reduzir o risco de transmissão.

A Erliquiose passa para humanos?

A espécie Ehrlichia canis, responsável pela maioria dos casos em cães, não é considerada uma causa comum de doença em humanos.

Entretanto, carrapatos podem transmitir outras enfermidades de importância médica. Por isso, o controle desses parasitas é fundamental tanto para a saúde animal quanto para a saúde pública.

Conclusão

A erliquiose canina é uma doença grave, mas que pode ser controlada e tratada com sucesso quando diagnosticada precocemente. Fique atento a sinais como apatia, febre, perda de apetite, sangramentos e queda das plaquetas. A realização periódica de exames e o controle rigoroso de carrapatos são as melhores formas de proteger seu cão.

Ao perceber qualquer alteração no comportamento ou na saúde do seu pet, procure um médico-veterinário o quanto antes. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida do animal.

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